CONTABILIDADE ANALÍTICA

INTRODUÇÃO

No mundo globalizado em que as empresas estão inseridas, faz-se necessário que se busquem
diariamente instrumentos que visem à agilidade no processo de tomada de decisões. E um dos
instrumentos que auxilia as organizações neste âmbito é a contabilidade de custos,
objetivando suprir a gestão empresarial no que tange a um controle interno, capaz de ilustrar a
competência operacional no desenvolvimento da atividade fabril e da prestação de serviços
dessas organizações.
Assim, o presente artigo aborda a relevância da contabilidade de custos no processo de
tomada de decisões.

Segundo Derbeck e Nagy (2001, p. 13), “a contabilidade de custos fornece os dados
detalhados sobre custos que a gestão precisa para controlar as operações atuais e planejar para
o futuro”.
A importância da apuração correta e legítima dos custos não só nas empresas de manufatura,
como no comércio e no serviço, que auxiliam nos sistemas de informações contábeis,
essenciais no desenvolvimento operacional, determinando custos e preços dos produtos e
serviços.
Torna-se imprescindível adentrar nessa área de grande sustentação e controle para as
empresas, desvendando seus caminhos e alcançando seus objetivos. Para tanto, utilizou-se de
uma pesquisa bibliográfica por meio de livros, revistas etc para fundamentar o tema em ápice.
Segundo Andrade (2001, p. 42), “todos os documentos bibliográficos constituem-se em fontes
primárias ou secundárias”.
Fontes primárias são constituídas por obras ou textos originais, materiais ainda não
trabalhados, sobre determinado assunto. As fontes primárias, pela sua relevância,
dão origem a outras obras, que vão formar uma literatura ampla sobre aquele
determinado assunto. (ANDRADE, 2001, p. 43).
E as fontes secundárias para Andrade (2001, p. 43), “refere-se a determinadas fontes
primárias, isto é, são constituídas pela literatura originada de determinadas fontes primárias e
constitui-se em fontes de pesquisas bibliográficas”.
Inicia-se o presente artigo com uma abordagem sobre os conceitos fundamentais para a
contabilidade de custos, bem como o relacionamento da contabilidade de custos com a
contabilidade financeira; seus elementos básicos; algumas nomenclaturas de custos; objetos,
objetivos e finalidades da contabilidade de custos; bem como a classificação dos custos. Em
seguida, destacam-se os métodos de custeio e seus efeitos sobre o lucro e no processo de
decisão. Adiante, se faz necessário descrever sobre o sistema de acumulação de custos;
alocação de custos; perdas; e sucatas. Na seqüência, uma análise de custo/volume/lucro. E,
por último a escolha de um sistema de custos.

RESUMO

No mundo globalizado em que as empresas estão inseridas, faz com que busquem diariamente
instrumentos que visam agilidade no processo de tomada de decisões. E um dos instrumentos
que auxilia as organizações neste âmbito é a contabilidade de custos, objetivando suprir a
gestão empresarial no que tange a um controle interno capaz de ilustrar a competência
operacional no desenvolvimento da atividade fabril e de prestação de serviços dessas
organizações.
Palavras-Chaves: Contabilidade; Gestão empresarial; Custos.


DESENVOLVIMENTO
 
Para compreender o objeto de estudo, vale mencionar alguns conceitos fundamentais, tais
como se destacam a seguir.

2.1 CONTABILIDADE

Segundo Marion (2003, p. 25), “a contabilidade pode ser considerada como sistema de
informação destinado a prover seus usuários de dados para ajudá-los a tomar decisão

2.2 CONTABILIDADE DE CUSTOS
 
Derberck e Nagy (2001, p. 13), relatam que “a contabilidade de custos fornece as informações
que permitem à gerência alocar recursos para as áreas mais eficientes e rentáveis da
operação”.

2.3 GASTOS, INVESTIMENTOS, DESPESAS, PERDAS E CUSTOS.
 
Terminologias mais utilizadas na contabilidade de custos para direcionar os gastos da
empresa.

2.3.1GASTOS
 
Para Wernke (2004, p. 11 e 12), é um termo usado para:
Definir as transações financeiras nas quais a empresa utiliza recursos ou assume uma
dívida, em troca da obtenção de algum bem ou serviço. É um conceito abrangente e
pode englobar os demais itens. Por exemplo: um gasto poder ser relacionado a
algum investimento (caso em que será contabilizado no ativo da empresa) ou a
alguma forma de consumo (como custo ou despesa, quando será registrado em conta
de resultado).
Neste caso, a compreensão que se define, é que os gastos generalizam um ou qualquer esforço
que a empresa adquire e que resulta num produto ou serviço.

2.3.2 INVESTIMENTOS
 
Wernke (2004, p. 11 e 12), define os investimentos como:
Gastos que irão beneficiar a empresa em períodos futuros. Enquadram-se nessa
categoria, por exemplo, as aquisições de ativos, como estoques e máquinas. Nesses
casos, por ocasião da compra, a empresa desembolsa recursos, visando a um retorno
futuro sob a forma de produtos fabricados.
Diante do exposto, qualquer imobilizado e matéria-prima adquirida serão classificadas
contabilmente como investimentos de benefícios futuros, até mesmo os maquinários fabris,
exceto o valor de seu desgaste com o passar do tempo, que neste caso será custos.

2.3.3 DESPESAS
 
Wernke (2004, p. 11 e 12), descreve que as despesas:
O valor dos bens ou serviços consumidos direta ou indiretamente para obtenção de
receitas, de forma voluntária. Esse conceito é utilizado para identificar os gastos não
relacionados com a produção, ou seja, os que se referem às atividades não
produtivas da empresa.
Logo, as despesas estão relacionadas com todos os gastos a partir da inserção dos produtos
e/ou serviços no mercado.

2.3.4 CUSTOS
 
Wernke (2004, p. 11 e 12) textualiza custos como,
Gastos efetuados no processo de fabricação de bens ou de prestação de serviços. No
caso industrial, são os fatores utilizados na produção como matérias-primas, salários
e encargos sociais dos operários da fábrica, depreciação das máquinas, dos móveis e
das ferramentas utilizadas no processo produtivo.
Assim, um gasto pode transformar-se de investimento para custo ou despesa ou diretamente
custo ou despesas.
A figura 1 mostra os caminhos dos gastos no processo operacional da organização:
Figura 1 – Direção Básica dos gastos
Fonte: Cherman, 2002, p. 25

2.3.5 OBJETOS, OBJETIVOS E FINALIDADES DA CONTABILIDADE DE CUSTOS.
 
No minidicionário compacto inglês/português-português/inglês, a palavra objeto significa
“coisa; assunto; matéria; sedígnio; intento”.
Segundo Horngren, Foster e Datar (1997, p. 19), “para guiar suas decisões, os gestores sempre
desejam saber quanto custa determinada coisa (como por exemplo, um novo produto, uma
máquina, um serviço ou um processo)”. Tal coisa chama-se de objeto de custo, pois se
necessita de mensuração, para definir o quanto custa produzi-lo.
Esclarecido o que vem a ser objeto de custo, fica fácil saber seu objetivo. E é o que o
professor Cherman (2002) define como objetivo primordial da contabilidade de custos “é a
apuração dos custos dos produtos vendidos”.
Assim, não basta apenas saber o objeto e objetivo de custos, é preciso entender sua finalidade.
Investimento  Despesa  Custo  Investimento


2.3.5 OBJETOS, OBJETIVOS E FINALIDADES DA CONTABILIDADE DE CUSTOS.

 
No minidicionário compacto inglês/português-português/inglês, a palavra objeto significa
“coisa; assunto; matéria; sedígnio; intento”.
Segundo Horngren, Foster e Datar (1997, p. 19), “para guiar suas decisões, os gestores sempre
desejam saber quanto custa determinada coisa (como por exemplo, um novo produto, uma
máquina, um serviço ou um processo)”. Tal coisa chama-se de objeto de custo, pois se
necessita de mensuração, para definir o quanto custa produzi-lo.
Esclarecido o que vem a ser objeto de custo, fica fácil saber seu objetivo. E é o que o
professor Cherman (2002) define como objetivo primordial da contabilidade de custos “é a
apuração dos custos dos produtos vendidos”.
Assim, não basta apenas saber o objeto e objetivo de custos, é preciso entender sua finalidade.
Investimento Despesa Custo Investimento
Para Cherman (2002, p. 10), a contabilidade de custos tem a finalidade de auxiliar na
“avaliação dos estoques; apuração dos resultados; controle das atividades produtivas e tomada
de decisão”.

2.3.6 CLASSIFICAÇÃO DE CUSTOS
2.3.6.1 QUANTO À ALOCAÇÃO OU APURAÇÃO DOS CUSTOS

 
Para determinar a relação objetos de custo, é preciso separá-los em custos diretos e indiretos.
Assim, Horngren, Foster e Datar (1997), conceituam cada qual com sua característica.
· Custos diretos de um objeto de custo são os custos que estão relacionados a um
determinado objeto de custo e que podem ser identificados com este de maneira
economicamente viável (custo efetivo).
· Custos indiretos de um objeto de custo são os custos que estão relacionados a
um determinado objeto de custo, mas não podem ser identificados com este de
maneira economicamente viável (custo efetivo). Os custos indiretos são
alocados ao objeto de custo através de um método de alocação e custo
denominado rateio.
Logo, os custos diretos têm fácil identificação ao produto no processo produtivo e os indiretos
são de difícil alocação por não estarem diretamente relacionados ao produto, necessitando de
um critério de rateio para apropriá-los ao produto.

2.3.6.2 QUANTO À FORMAÇÃO OU NATUREZA
 
Os dois tipos de comportamento dos custos são encontrados na maioria dos sistemas de custos
– os variáveis e os fixos.
Para Horngren, Foster e Datar (1997),
Um custo variável é um custo que se altera em montante em proporção às alterações
num direcionador de custo. Um custo fixo é um custo que não se altera em montante
apesar de alterações num direcionador de custos. Um direcionador de custos,
também chamado de determinante de custo, é qualquer fator que afeta os custos
totais. Isto significa dizer que uma mudança no direcionador de custo implicará uma
alteração dos custos totais de um objeto de custo.
Os exemplos mais comuns de custos variáveis são as matérias-primas, os materiais diretos e a
mão-de-obra direta.
O custo fixo não se altera com a variação da quantidade produzida. Eis alguns dos exemplos
de custos fixos: seguro da fábrica, aluguel da fábrica, energia da fábrica etc.

2.3.7 SISTEMAS DE CUSTEIO

 
Segundo Cherman (2002, p. 50), “apropriar custo significa o modo em que os custos serão
atribuídos aos produtos”.
Eis alguns métodos de custeio utilizados para alocação dos custos aos produtos e/ou serviços:
Custeio por absorção; custeio variável ou direto; ABC; RKW e Custeio padrão.
2.3.7.1 CUSTEIO POR ABSORÇÃO
Para Cherman (2002, p. 50) o custeio por absorção, “é um método de custeio em que são
apropriados aos produtos fabricados todos os custos incorridos sejam eles diretos, indiretos,
fixos ou variáveis”.
A esse respeito, Horngren, Foster e Datar (1997, p. 211), registram que o custeio por absorção
“é o método de custeio do estoque no qual todos os custos de fabricação, variáveis e fixos, são
considerados custos inventariáveis”.
É importante salientar que neste método, o custo separa-se das despesas; é aceito pela
legislação societária (Lei 6.404/76) e, obedece aos princípios fundamentais de contabilidade,
dentre eles, o princípio da realização da receita, confrontação e competência.
A figura 2 esboça claramente o esquema básico desse custeio.
Figura 2 – Esquema Básico do Custeio por Absorção para empresas de Manufatura
Fonte: MARTINS (2003, p. 37)
Custeio por Absorção
Empresas de Manufatura
CUSTOS
ESTOQUE
DE
PRODUTOS
DESPESAS
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS
RECEITA
CPV
LUCRO BRUTO
DESPESAS
LUCRO OPERACIONAL

Na

CUSTEIO VARIÁVEL OU DIRETO

Horngren, Foster e Datar (1997), descrevem o custeio variável como o método de custeio de
estoque em que, “todos os custos de fabricação variáveis são considerados custos
inventariáveis. Todos os custos de fabricação fixos são excluídos dos custos inventariáveis.
Eles são custos do período em que ocorrem”.
Eliseu Martins em seu livro de contabilidade de custos faz um breve resumo acerca do custeio
variável:
Pela própria natureza dos custos fixos (invariabilidade), arbitrariedade sem seu rateio e
variação por unidade em função de oscilações do volume global, e por propiciar valores de
lucro não muito úteis para fins decisoriais, criou-se um critério alternativo ao custeio por
Custeio por Absorção
Empresas Prestadoras de Serviços
CUSTOS
PRESTAÇÃO
DE
SERVIÇOS
DESPESAS
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS
RECEITA
Custo Serviços Prestados
LUCRO BRUTO
DESPESAS
LUCRO OPERACIONAL
 
absorção. Trata-se do custeio variável (ou direto), em que só são agregados aos produtos seus
custos variáveis, considerando-se os custos fixos como se fossem despesas.
Nas demonstrações à base do custeio variável obtem-se um lucro que acompanha
sempre a direção das vendas, o que não ocorre com a absorção. Mas, por contrariar a
competência e a confrontação, o custeio variável não é válido para balanços de uso
externo, deixando de ser aceito tanto pela auditoria independente quanto pelo fisco.
É fácil, entretanto, trabalhar-se com ele durante o ano e fazer-se uma adaptação de
fim de exercício para se voltar à absorção.(MARTINS, 2002, p. 204).

2.3.7.3 ACTIVITY BASED COSTING
 
É outra forma de alocar os custos indiretos de fabricação aos produtos. Primeiro distribui as
atividades por meio de um direcionador, posteriormente para os departamentos e finalmente
para os produtos. O ABC é o método que obtém melhor afinidade com os custos indiretos,
pois proporciona resultados mais próximos da realidade.
Horngren, Foster e Datar (1997, p. 76), descrevem o custeio baseado em atividades (ABC –
activity based costing) como,
Um enfoque para se aprimorar um sistema de custeio. Ele se concentra nas
atividades como se fossem os principais objetos de custo. Uma atividade é um
evento, tarefa ou unidade de trabalho com um determinado propósito. O ABC utiliza
o custo dessas atividades como base para distribuir custos para outros objetos de
custo tais como produtos, serviços ou clientes.
A figura 4 da página seguinte ilustra o esquema do ABC – activity based costing

REICHSKURATORIUM FUR WIRTSCHAFTLICHTKEIT
 
Consiste em ratear os custos e despesas (comerciais, administrativas, financeiras etc) aos
produtos. Esse método é conhecido como departamentalização, pois consiste em dividir as
empresas em partes, normalmente conhecidas por um organograma.
Para Martins (2003, p. 65), “departamento é a unidade mínima administrativa para a
contabilidade de custos, representada por pessoas e máquinas (na maioria dos casos), em que
se desenvolvem atividades homogêneas”.
Cherman (2002, p. 66) descreve que o objetivo da departamentalização para efeito de
contabilidade de custos, “é diminuir a arbitrariedade dos critérios de rateio, já que os custos,
primeiro passam pelos departamentos e depois são atribuídos aos produtos. Com isso teremos
um melhor controle de custos”.
Existem dois tipos de departamentos: os produtivos e os de serviços. Os produtivos trabalham
diretamente o produto e os de serviços tem a função de prestar serviços aos produtivos.

CUSTO PADRÃO
 
Segundo Cherman (2002, p. 177), o custo padrão “é uma meta que a empresa deseja atingir
em um determinado período de tempo. Todos os custos são tomados por estimativa”.
Existem três tipos de custo padrão. São eles: Ideal, estimado, Real e corrente.

2.3.7.5.1 Ideal
 
É aquele determinado dentro das condições ideais de qualidade e eficiência de mão-de-obra.
Expressa o objetivo da empresa a longo prazo (planejamento estratégico). Supõe a utilização
máxima de todos os recursos disponíveis com um mínimo de desperdícios e são desprezados
os imprevistos, como quebra de equipamentos, perdas etc... Na prática é muito difícil de ser
alcançado. (CHERMAN, 2002)

2.3.7.5.2 Estimado
 
É aquele determinado através da observação da produção passada (custo histórico), sem levar
em consideração falhas da produção, ineficiências de mão-de-obra etc. é uma estimativa de
custo a curto prazo e geralmente os valores encontrados são bem próximos da realidade.
(CHERMAN, 2002).

2.3.7.5.3 Corrente
 
Leva em consideração que certas deficiências não podem ser solucionadas, pelo menos a
curto e médio prazo. Os custos são determinados considerando um bom desempenho da
empresa e possíveis de serem alcançados. Situa-se entre o ideal e o estimado. (CHERMAN,
2002).
 
 Real
 
Segundo Cherman, o custo real é aquele que ocorreu efetivamente na empresa. Quando o
custo real é maior que o custo padrão, a diferença é desfavorável, já que os custos foram
maiores que o previsto. Quando o custo padrão for maior que o real, a diferença é favorável.
(CHERMAN, 

2.3.8 SISTEMA DE ACUMULAÇÃO E ALOCAÇÃO DE CUSTOS, PERDAS E SUCATAS.
 
Para Cherman (2002), “existem dois tipos de sistemas de acumulação de custos: Produção por
ordem ou por encomenda e produção contínua ou em série ou por processo”.

2.3.8.1 PRODUÇÃO POR ORDEM OU POR ENCOMENDA
 
Segundo Horngren, Foster e Datar (1997, p. 67), no sistema de acumulação de custo por
ordem, os custos são:
Acumulados a uma determinada unidade ou lote de um produto ou serviço.
Considera-se uma ordem uma empreitada que consome recursos para trazer um
determinado produto ou serviço ao mercado. O produto ou serviço é frequentemente
feito sob medida ou por encomenda, tal como um serviço de auditoria.
Os exemplos conhecidos no meio contábil deste sistema de acumulação de custos são:
fabricantes de aviões, indústria naval etc.

2.3.8.2 PRODUÇÃO POR PROCESSO
 
Horngren, Foster e Datar (1997, p. 67) descrevem que,
O custo de um produto ou serviço é obtido pela média dos custos acumulados a uma
grande quantidade de unidades similares. Frequentemente, itens idênticos (tal como
bonecas Barbie) são produzidas em grande escala para venda em geral, e não para
um cliente específico.
Variações REAL X PADRÃO
Quantidade

Preço
Preço Real
Preço Padrão
Quantidade
Padrão
Quantidade
Real
Variação
de
Quantidade
Variação
Mista
Variação de
Preço

2.3.9 ALOCAÇÃO DE CUSTOS
 
Ressaltou-se nos parágrafos anteriormente descritos sobre o sistema de acumulação de custo.
No item a seguir, faz-se uma análise da apuração de custos de dois ou mais produtos,
produzidos simultaneamente, que se denomina custo conjunto.
Para os autores do livro contabilidade de custos, Horngren, Foster e Datar (1997, p. 385), o
custo conjunto “é o custo de um único processo que gera diversos produtos simultaneamente”.
Mas para entendimento, é necessário que se descreva sobre o que vem a ser produto e coprodutos.
E os autores acima citados assim os definem:
Produto é qualquer output que tem valor de venda positivo (ou que permita a
organização evitar a ocorrência de custos). Os co-produtos têm valor de venda
relativamente alto, mas não são identificáveis isoladamente como produtos
individuais até o ponto de separação. Quando um processo gerador de dois ou mais
produtos origina um único produto com valor de venda relativamente alto, este
produto é denominado produto principal. Um subproduto tem baixo valor de venda,
em comparação com o(s) produto(s) principal (ais) e o(s) co-produto(s). A sucata
tem valor de venda mínimo.
Para Cherman (2002), a produção conjunta “ocorre quando mais de um produto surge a partir
da mesma matéria-prima”. E ainda, exemplifica “o caso do frigorífico, que do boi abatido
surgem os diferentes tipos de carne que são os co-produtos (filé, alcatra, patinho etc)”. O
frigorífico se classifica a partir da matéria-prima “a carne de boi”, distribuindo-a em coprodutos
e finalmente em subprodutos (como os ossos, chifres etc).

2.3.10 PERDAS E SUCATAS

2.3.10.1 PERDAS
 
Horngren, Foster e Datar (1997), consideram as perdas referentes “às unidades da produção
recusadas, que são jogadas fora ou vendidas pelo valor de alienação”.
Para os autores, existem dois tipos de perdas: a perda normal e a anormal. A perda normal é a
que ocorre em condições eficientes de operação, como resultado inerente do processo
particular de produção. Para um dado processo de produção, a administração deve decidir a
taxa de perda que pretende aceitar como normal. Os custos das unidades perfeitas, quando
estas não podem ser fabricadas sem o aparecimento simultâneo de unidades defeituosas. As
taxas normais de perda devem ser determinadas com base em todas as unidades perfeitas, e
não em todas as unidades efetivamente iniciadas. Por quê? Porque o total destas também
inclui a perda normal, além da perda normal. A perda anormal é a que não se espera que
ocorra dentro das condições eficientes de operação; ela não é parte inerente do processo
produtivo escolhido. (HORNGREN, FOSTER E DATAR, 1997, p. 462).

2.3.10.2 SUCATAS
 
Segundo Cherman (2002) as sucatas “também chamadas de resíduo, são sobras da produção
ou produtos com defeito ou imprestáveis. Não tem mercado garantido. Seu custo já está
incorporado às unidades boas”.

2.3.11 RELAÇÃO DE CUSTO-VOLUME-LUCRO
 
A análise que se faz necessária está baseada nas seguintes suposições de Horngren, Foster e
Datar (1997, p. 45):
1. Os custos totais podem ser divididos em uma parte fixa e em outra
parte que é variável com relação ao nível de atividade.
2. O comportamento das receitas e dos custos totais é linear dentro de
uma determinada faixa de atividade.
3. O preço de venda unitário, os custos variáveis unitários e os custos
fixos são conhecidos.
4. A análise abrange tanto um único produto quanto supõe que um
dado mix de receita de produtos permanecerá constante mesmo
quando a quantidade total de unidades vendidas se alterarem.
5. Todas as receitas e custos podem ser adicionados e comparados sem
levar em consideração o valor do dinheiro no tempo.
A seguir discutir-se-á sobre o ponto de equilíbrio, que para Horngren, Foster e Datar (1997),
“é o nível de atividade em que as receitas totais e os custos totais se igualam, ou seja, onde o
lucro é igual a zero”.

2.3.12 PONTO DE EQUILÍBRIO

É o ponto em que a receita total se iguala aos custos totais, resultando em um lucro igual a
zero.
Existem três métodos de apuração do ponto de equilíbrio:pela equação matemática, pela
margem de contribuição e pelo gráfico.

2.3.12.1 MÉTODO DE APURAÇÃO PELA EQUAÇÃO
 
Mostra-se a seguir a fórmula do método da equação:
Receitas – custos variáveis – custos fixos = lucro
(PVu x Q) – (CVu x Q) – CF = LO
Em que: PVu = Preço de Venda unitário
Q = quantidade
CVu = Custo Variável unitário
CF = Custo Fixo
LO = Lucro zero.

2.3.12.2 MÉTODO DE APURAÇÃO PELA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO
 
Ilustra-se a seguir o método da margem de contribuição:
A margem de contribuição é igual às receitas, menos os custos dos produtos ou serviços, que
variam em função do nível de atividade.

(PVu x Q) – (CVu x Q) – CF = LO
(PVu – Cvu) x Q = CF+ LO
MCu x Q = CF + LO
Q = CF + LO
MCu

2.3.12.3 MÉTODO GRÁFICO

Assim como os métodos de equação e da margem de contribuição para o cálculo do ponto de
equilíbrio, tem-se o método gráfico, que traça a linha dos custos totais e a das receitas totais.
O ponto de interseção das duas linhas é o ponto de equilíbrio, como ilustra a figura 7.

Do ponto de vista de Horngren, Foster e Datar (1997, p. 47), a análise de sensibilidade “é um
técnica de simulação que examina o quanto um resultado será alterado se os dados da previsão
inicial não forem obtidos ou se alguma suposição fundamental for alterada”.
A análise de sensibilidade responde a questões tipo: qual será o lucro operacional se
o nível de atividade for 5% menor que o previsto? E: qual será o lucro operacional
se os custos variáveis por unidade aumentarem 10%? A sensibilidade para diversos
possíveis resultados amplia as perspectivas dos gerentes para o que poderia de fato
ocorrer, apesar de seus planos terem sido bem estabelecidos. (HORNGREN,
FOSTER E DATAR, 1997, p. 47 e 48).
A análise de sensibilidade tem um aspecto importante – a margem de segurança, que
Horngren, Foster e Datar (1997), assim esclarecem:
É o excesso das receitas orçadas sobre o ponto de equilíbrio da receita. A margem de
segurança é a resposta para questões do tipo: Se as receitas orçadas estiverem acima
do ponto de equilíbrio e caírem, o quanto elas podem ficar abaixo do orçado antes de
atingir o ponto de equilíbrio? Tal queda poderia estar relacionada a um competidor
que tenha um melhor produto, a um marketing mal feito etc.
Cherman (2002, p. 142) afirma que, “a margem de segurança informa quão próximo ao ponto
de equilíbrio a empresa está operando, isto é, quanto as vendas podem cair sem que a empresa
opere com prejuízo”.
Para que haja respostas a questões relacionadas ao que acontecerá com o lucro da empresa
com a análise do custo/volume/lucro, Wernke (2004, p. 41) enumera alguns itens: “1.
Aumento ou diminuição do custo (variável) (ou fixo); 2. Diminuição ou aumento do volume
de vendas; e, 3. Redução ou majoração dos preços de venda”.
A análise do custo-volume-lucro, instrumento utilizado pela contabilidade de custos para a
tomada de decisões, informa aos gestores a forma existente entre a ligação das vendas com os
custos, o nível de atividade desenvolvido e o lucro desejado. A figura 8 demonstra os
componentes dessa análise.

 A Utilização da Contabilidade de Custos na Formação do Preço de
Venda
Neiva Baseggio
Edison Luiz Leismann
Elisângela Maria da Silva
Marluci demozzi
Resumo:
A contabilidade de custos é um importante instrumento destinado a produzir
informações para os diversos níveis gerenciais, coletando, classificando e
registrando os dados operacionais das diversas atividades, utilizando métodos de
custeio. A escolha do tema que compõe este trabalho tem por finalidade apresentar
a importância da contabilidade de custos através dos Métodos de Custeio,
destacando os mais usuais no mercado como o Custeio por Absorção, Custeio
Variável ou Direto e o Custeio ABC, evidenciando-os como fator preponderante para
a formação do preço de venda para as empresas de Nova Mutum. Conclui-se
enfatizando as conseqüências da falta de controle dos custos e a importância de
saber formar preço de venda utilizando técnicas, métodos objetivando sempre
alcançar seu principal objetivo, o lucro.
Palavras-chaves: Métodos de Custeio. Preço de venda. Custos.
Abstract:
Cost accounting is an important tool to produce information for different management
levels, collecting, classifying and recording the operational data of the various
activities, using methods of funding. The topic work choice aims to show the
importance of accounting costs by Costing Methods, highlighting the most common in
the market as the Absorption Costing, Variable Costing and Direct Costing or ABC,
showing them as a major factor for the formation of the selling price for companies in
Nova Mutum. It is concluded emphasizing the consequences of lack of cost control
and the importance of knowing how to form the selling price using techniques,
methods, always aiming to achieve its main objective, the profit.
Keywords: Costing Methods. Selling Price. Costs.
Introdução
Nos dias de hoje em que a competitividade é cada vez maior, é de extrema
necessidade a busca contínua para aprimorar a qualidade em todos os segmentos
buscando a aceitação e a permanência de um produto ou serviço no mercado. O
preço de venda de um bem não pode superar significativamente os preços de seus
concorrentes sem arriscar-se a consideráveis perdas de venda, por essa razão
difundiu-se a máxima de que os preços de venda são determinados pelo mercado.
Porém, o mercado só pode sugerir e não determinar o preço de venda aproximado
de um produto.
No mundo globalizado a facilidade de encontrar o produto desejado é cada
vez maior, as empresas necessitam de fatores que as tornem mais atraente, e o
conhecimento dos elementos de formação do preço de venda dos produtos e
serviços constitui-se numa vantagem competitiva para as organizações.
Na tarefa de encontrar um equilíbrio no preço praticado e de demonstrar a
importância de formar preços por meio de estudos, a contabilidade de custos tornase
altamente relevante, com seus sistemas e métodos de informação que permitem
melhor gerenciamento das empresas.
De acordo com Martins (1998), a contabilidade de custos tem duas funções
relevantes, uma no auxílio ao controle e a outra na ajuda as tomadas de decisões.
No que diz respeito ao controle, sua mais importante missão é fornecer dados,
orçamentos e outra formas de previsão e em seguida acompanhar o efetivamente
acontecido para comparação com valores anteriormente definidos, já a tomada de
decisões o papel da contabilidade de custos consiste na alimentação de informações
sobre valores relevantes que dizem respeito às conseqüências de curto e longo
prazo sobre medidas de corte de produtos, opção de compra e fixação de preços de
venda.
Este artigo pretende descrever alguns métodos de fixação de preço de venda
e demonstrar também para as empresas de Nova Mutum a importância da utilização
da contabilidade de custos na formação do preço de venda de um produto ou
serviço para a manutenção e permanência do mesmo no mercado.
O mesmo está estruturado, inicialmente, em uma análise do surgimento da
contabilidade de custos assim como sua utilização e descrição de alguns elementos
importantes, a seguir uma discussão sobre preço de venda e os fatores que podem
influenciar para um preço mais competitivo.
Contabilidade de Custos
Silva (2008) descreve que a contabilidade de custos é um ramo da ciência
contábil utilizada para identificar, mensurar, registrar e informar os custos dos
produtos, mercadorias ou serviços vendidos, aplicando os princípios contábeis da
mesma forma que a contabilidade geral, com a finalidade de se apurar resultados e
valorizar os estoques, alertando os administradores para quaisquer resultados que
exijam correção.
De acordo com Oliveira e Rodrigues [2010?], a contabilidade de custos
nasceu da contabilidade financeira, quando houve a exigência de se controlar e
avaliar estoques nas indústrias, nascentes à época da Revolução Industrial, tarefas,
até então, de fácil avaliação, pois as empresas eram pequenas e familiares,
basicamente de artesanatos.
Segundo Martins (1998), a contabilidade de custos tinha função inicial o
abastecimento de elementos que visavam avaliação dos estoques, finais ou
intermediários e, também a avaliação dos resultados e não o fornecimento de dados
à administração, porém, nessas últimas décadas a contabilidade de custos tornou-se
uma importante arma de controle e decisão gerenciais.
Silva (2008) diz que a contabilidade de custos surgiu a partir da necessidade
de atender os anseios de informação da administração, interessadas no controle dos
custos de sua atividade bem como da busca de lucro.
Leone (1981) relata que a contabilidade de custos hoje se refere às atividades
de coleta e fornecimento de informações para as necessidades de tomada de
decisão de todos os tipos, desde as relacionadas com as operações repetitivas até
as de natureza estratégica, não repetitivas, e, ainda, ajuda na formulação das
principais políticas das organizações.
Já Silva (2008) afirma que a contabilidade de custos atualmente, é um dos
principais ramos da contabilidade e que merece uma maior atenção por parte dos
contadores, para que não seja assumida por outra profissão como Administração,
Economia e ou até mesmo Engenharia, como é o caso dos EUA onde já existe a
Engenharia de Custos.
A seguir serão conceituados alguns elementos importantes para
entendimento do assunto abordado.
Custos
O conhecimento dos custos é vital para saber se determinado produto é
rentável ou não, e se é possível diminuir ou minimizar seus custos.
De acordo com Bertó e Beulke (2005), custo é uma expressão monetária que
deve ter uma menor quantidade final, boa, rentável de produtos ou serviços para
repor fisicamente, ao término de cada ciclo operacional, uma maior quantidade inicial
de insumos e consumos do próximo ciclo.
Silva (2008) diz que custos são recursos aplicados na transformação dos
ativos, representados por gastos relativos à utilização de bens ou serviços aplicados
para produção de outros bens e serviços.
Martins (1998) concorda com o conceito de Silva quando afirma que custo é
um gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços,
e acrescenta ainda que o custo é também um gasto, só que reconhecido como tal,
isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e
serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço.
Bruni (2006) afirma que custos representam na verdade uma transição de um
investimento que tem como destino final o valor de estoques. A conversão de
matéria em produto em elaboração e a conversão dos produtos em elaboração em
produtos acabados representam custos.
Razões para se Implementar um Sistema de Custos
De acordo com Silva (2008) as razões para se implementar um sistema de
custos estão intimamente correlacionadas às tomadas de decisões gerenciais,
devendo o sistema funcionar como base sólida e transparente para essas decisões.
De acordo ainda com o mesmo autor, os relatórios gerados com base nas
informações sobre os custos servem como instrumento de apoio para: elaboração
das demonstrações contábeis; controle de custos de produção; tomada de decisões
de comercialização; fixação de preços de venda; análise de margens de lucro;
projeção de resultados, etc.
Classificação dos custos
De acordo com Leone (1981), existem vários tipos de custos, alguns tipos de
custos são conhecidos e sua determinação pela Contabilidade é uma atividade
repetitiva, corrente. Outros tipos somente são levantados ou estabelecidos à medida
que a Administração necessita deles.
Martins (1998), diz que todos os custos podem ser classificados em fixos e
variáveis ou em diretos e indiretos ao mesmo tempo. Assim, a matéria-prima é um
custo direto e variável, os materiais de consumo são normalmente custos indiretos e
variáveis, os seguros das fábricas são custos indiretos e fixos, etc. Os custos diretos
são variáveis, quase sem exceção, mas os indiretos são tanto fixos como variáveis,
apesar da geral predominância dos primeiros.
A seguir serão abordados alguns dos principais tipos de custos.
Custo Direto
De acordo com Silva (2008), custo direto é aquele diretamente identificado e
associado ao produto, e não necessita de nenhum critério de rateio para essa
associação. Exemplo: matéria-prima, embalagem, mão-de-obra direta.
Bertó e Beulke (2005) relatam que os custos diretos devem ser identificados
diretamente em cada unidade vendida. Exemplo: nos custos relativos à aquisição da
mercadoria ou relativos ao emprego de material direto no processamento industrial
de bens, nas despesas relativas às vendas, como ICMS (Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços), PIS, COFINS, etc e nas despesas financeiras do giro.
Esse último refere-se às despesas financeiras decorrentes do financiamento do
período de estocagem interna da mercadoria na empresa, mais eventuais prazos
concedidos para o recebimento dos valores vendidos.
Já Leone (1981) diz que custos diretos são todos os custos que se
conseguem identificar com as obras, do modo econômico e lógico, ou seja, é o custo
que é identificado naturalmente ao objeto do custeio.
Custo Indireto
Bertó e Beulke (2005), dizem que custos indiretos dão sustentação ao
funcionamento das atividades. Em geral os custos indiretos apresentam como
característica a impossibilidade de ser medidos, identificados, quantificados
diretamente em cada unidade.
Para Leone (1981), custos indiretos são todos os outros custos que
dependem do emprego de recursos, de taxas de rateio, de parâmetros para o débito
às obras.
Silva (2008) reafirma o que os dois autores relataram, pois segundo ele custo
indireto é aquele cuja associação direta ao produto não é possível. Necessita de
critério de rateio para sua alocação. Exemplos: depreciação, mão-de-obra indireta,
seguros, aluguel.
Custo Fixo
Bertó e Beulke (2005) relatam que os custos fixos se mantêm inalterados face
ao volume de atividade, dentro de certos limites de capacidade, ou seja, não se
modificam em razão do crescimento ou da retração ao volume dos negócios dentro
desses limites. Exemplos: manutenção, folha de pagamento da administração.
Silva (2008) mais uma vez reafirma o que Bertó e Beulke relataram, pois de
acordo com o mesmo custo fixo é aquele que independe da quantidade produzida.
Exemplos: aluguel, depreciação, mão-de-obra indireta mensalista.
Custo Variável
De acordo com Silva (2008) custo variável é aquele que ocorre em função da
quantidade produzida, por exemplo: matéria-prima, combustível, mão-de-obra para
produção.
Já Bertó e Beulke (2005) relatam que custo variável não está
necessariamente relacionado com a identificação entre custos/despesas com o
produto/mercadoria /serviço. Na realidade, o foco desses custos/despesas está mais
relacionado com o volume vendido. Constituem valores que se modificam em
relação direta com o volume vendido. Exemplos: variação no custo total da
mercadoria em razão das oscilações da quantidade vendida, ICMS de venda,
PIS/COFINS etc.
Métodos de Custeio
De acordo com Silva (2008) os sistemas de custeamento surgiram em
decorrência do aumento do tamanho e complexidade das organizações, da
necessidade de integração e coordenação das operações nas matrizes e filiais das
empresas, crescente importância dos custos indiretos de fabricação, e a
concorrência que trouxe no bojo a necessidade de estabelecer preços, como talvez,
o mais importante fator do desenvolvimento desses sistemas.
Segundo Martins (1998), “custeio significa método de apropriação de custos.“
Existem vários métodos de custeio, mas este artigo restringiu-se a estudar o
Custeio por Absorção, Custeio Variável ou Direto, Custeio Padrão e o Custeio
baseado em Atividade (ABC).
Custeio por Absorção
De acordo com Santos, Espejo e Voese [2010?}, o sistema de custeio por
absorção tem suas origens na Contabilidade Financeira, tendo como guia norteador,
os princípios fundamentais da contabilidade, sendo o único aceito pelo fisco.
A principal característica do custeio por absorção é o fato dele adotar critérios
de rateio na alocação dos custos indiretos aos produtos e de utilizar a parcela os
gastos de produção para formação do custo do produto. Para a efetiva utilização do
custeio por absorção, é necessário seguir alguns passos que consistem em separar
os custos das despesas, alocar ou apropriar os custos diretos aos produtos e alocar
os custos indiretos de fabricação, também aos produtos e serviços.
Para Silva (2008) o sistema de custeio por absorção classifica os custos em
diretos e indiretos, de acordo com a sua possibilidade de serem apropriados aos
produtos. Considera que todos os custos de produção são alocados ao produto, e
não considera os gastos ocorridos fora da produção, que são custos do período:
venda, administração e pesquisas e desenvolvimento.
Custeio Variável ou Direto
Bruni (2006), relata que as expressões custeio direto e custeio variável
aparecem citadas muitas vezes como sinônimos, porém as duas expressões se
baseiam em conceitos bastante diferentes.
A diferença entre custos diretos e indiretos refere-se à possibilidade de
identificação dos gastos com objetos específicos de custeio. Custos variáveis e fixos
são distinguidos em função de flutuação nos volumes. Contudo as duas são de
fundamental importância na gestão de custos e formação de preços.
Para Silva (2008) no sistema de custeio variável, os custos são variáveis ou
fixos de acordo com o nível de atividade, volume ou quantidade produzida. O autor
relata ainda que esse tipo de custeio é indicado para controles gerenciais.
De acordo com Martins apud Silva (2008) custeio variável ou direto é o
processo segundo o qual apenas os custos variáveis de materiais, mão-de-obra e
custos indiretos de fabricação, usados na produção do produto ou no desempenho
de um serviço ou atividade, são atribuídos a estes, enquanto que os custos fixos são
considerados como custos do período.
Custeio ABC
O método de apropriação de custos denominado ABC significa Activity Based
Costing, ou seja, Custeio Baseado em Atividades.
Silva (2008) diz que o Custeio Baseado em Atividades (ABC) surgiu das
necessidades gerenciais não mais embasadas pelos números dos custos apurados
na forma tradicional, em função de rápidas e diversas alterações que se
processavam no ambiente econômico a partir dos anos 80.
Segundo Martins (1998) o método de custeio ABC procura reduzir
sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos.

Para Bertó e Beulke (2005) a característica básica do custeio por atividade é
a apropriação aos produtos, às mercadorias e aos serviços de todos os custos e
despesas diretas possíveis, sejam eles fixos ou variáveis. De acordo ainda com os
autores o sistema ABC possui a seguinte composição:

Preço de venda (função de mercado e da gestão dos custos)
( - ) Custos e despesas diretas

I – Contribuição operacional de produtos, mercadorias ou serviços

II – Soma das contribuições operacionais de produtos, mercadorias ou
serviços de uma unidade de negócios
( -) Custos e despesas diretas da unidade de negócios

III – Contribuição operacional da unidade de negócios

IV – Soma das contribuições operacionais das várias unidades de   
negócios
da empresa
( - ) Custos e despesas gerais da empresa, não direcionadas
= Resultado da empresa

 
Silva (2008) afirma que o sistema de custeio ABC é um método de análise
que busca rastrear os gastos de uma empresa para analisar e monitorar as diversas
toras de consumo de recursos diretamente identificáveis com suas atividades mais
relevantes e destas para os produtos e serviços.
Preço de Venda
A formação do preço de venda, de um produto ou serviço, para alcançar uma
rentabilidade pré-determinada (geralmente através de orçamento) é perseguida
pelas empresas, é estudada por administradores e autores nos cursos de
contabilidade e administração, bem como nestes setores dentro das empresas. É
grande por parte dos gestores a ânsia de conhecer os resultados financeiros, por
produto ou serviço, para avaliar quais são mais rentáveis. A comparação do
resultado realizado com o pré-estabelecido serve também para se avaliar os
recursos envolvidos na comercialização assim como os desvios ocorridos nas
vendas.
As empresas devem em primeiro lugar conhecer seu ponto de equilíbrio e a
margem de contribuição de seus produtos isoladamente e ponderar esses produtos
pelo seu peso respectivo no faturamento total, identificando a média geral. É de
extrema importância as empresas conhecerem a rentabilidade de cada produto ou
serviço, pois assim, saberá quais produtos ou serviços dão mais ou menos lucros e
aqueles que dão prejuízos.
De acordo com Silva (2008) a formação do preço de venda é uma finalidade
bastante lembrada como um típico produto de um sistema de custos, havendo o mito
de que quem dispõe de um melhor sistema realiza um melhor cálculo de preço de
venda. Poderíamos dizer que um bom sistema de custos proporciona, em primeiro
lugar, uma noção muito clara de custos em diversas áreas de atuação, convergindo
em especial para o valor dos bens processados. Já o estabelecimento de preços, em
rigor, depende em igual intensidade da qualificação do sistema e das forças do
mercado.
Bertó e Beulke (2005) relatam que a formação do preço de venda dos
produtos e ou serviços, elemento essencial da gestão econômico-financeira e
mercadológica das empresas, envolve inúmeros fatores em sua composição, entre
eles se destacam: estrutura de custos; demanda (mercado); ação da concorrência;
governo e objetivos pretendidos com o produto ou serviço.
Silva (2008) afirma ainda que cálculo do preço de venda não depende
exclusivamente do custo dos bens, mas em boa dosagem da própria política de
preços, de tal modo que alguns autores delimitam a função cálculo como atribuição
da área de custos, e a função preço como sendo exclusivamente da área de
comercialização.
A empresa pode reduzir seu preço, sem necessidade, para aumentar seu
caixa no curto prazo ou ainda como parte de uma campanha, com foco no longo
prazo, para aumentar a sua fatia de mercado.
Para tomar essa decisão os gestores devem conhecer bem os custos para
não correr riscos.
De acordo com Bruni (2006) a formação de preços representa uma das mais
importantes e nobres atividades empresariais. A definição equivocada do preço pode
arruinar um negócio.
Kloter (2003) ressalta que, através da história os preços têm sido fixados por
compradores e vendedores que negociam entre si. Os vendedores pedem preço
acima do que esperam receber e compradores oferecem menos do que esperam
pagar. Por meio de uma negociação saudável se chega a um preço aceitável.
Hoje, o mercado dita os preços, pois é ele que diz o que está disposto a
pagar, em função da sua renda. Cabe então às empresas verificar quais produtos
são viáveis economicamente para elas e adequar os investimentos e recursos
aplicados, de maneira mais racional e com eficiência, para que aumente a
produtividade, com a conseqüente diminuição de custos e o aumento da
rentabilidade dos produtos.
Componentes dos preços
Bruni (2006) afirma que o preço pode ser apresentado em função de quatro
componentes: os custos (que correspondem aos gastos produtivos ou incorporados
no produto), as despesas (que correspondem aos gastos não incorporados ao
estoque dos produtos, representando gastos comerciais ou de vendas,
administrativos ou financeiros), os impostos (diversos são os tributos incidentes
sobre o preço, como o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, o Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, o Programa de Integração
Social – PIS, e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins)
e o lucro (que representa a remuneração do empresário).
Já Silvente (2009) afirma que as decisões de preço são influenciadas por três
fatores: os clientes, os concorrentes e os custos. Os clientes e os concorrentes
definem se a empresa tem pouca influência sobre preço ou se pode fixar seus
próprios preços. Produtos com muitos concorrentes, muitos clientes e que não são
percebidos por esses com diferenciação, tal qual um produto de mais qualidade, não
permitem que a empresa gerencie sobre seu preço.
Mark-Up
Uma das grandes ferramentas usadas para calcular o preço de venda de um
produto é o mark-up.
De acordo com Silva (2008) o Mark-up é um índice – multiplicador ou divisor –
que aplicado ao custo do produto fornece o preço de venda. Normalmente integram
o Mark-up os elementos: PIS/COFINS; ICMS; Comissões; Despesas
Administrativas; Despesas Fixas de Vendas; Despesas Financeiras (aquelas não
associáveis aos produtos); Despesas Fixas de Fabricação (quando utilizada
sistemática de custeamento direto); e o lucro.
Margem de Contribuição
A margem de contribuição revela o quanto o produto da empresa contribui
para que esta consiga dar cobertura aos seus custos fixos, demonstrando a
capacidade que cada produto possui de cobrir os custos e a manutenção da
produtiva da empresa.
Bruni (2006) relata que a margem de contribuição, representada pela
diferença entre receitas e gastos variáveis, consiste em um dos mais importantes
indicadores para a tomada de decisão em custos, preços e lucros.
Martins (1998) afirma que margem de contribuição por unidade, é a diferença
entre a receita e o custo variável de cada produto. É o valor que cada unidade
efetivamente traz à empresa de sobra entre sua receita e o custo que de fato
provocou e lhe pode ser atribuído sem erro.
Silvente (2009) diz que a margem de contribuição é o quanto resta do preço,
ou seja, do valor da venda de um produto são deduzido os custos e despesas por
ele gerados. Representa a parcela excedente dos custos e despesas que os
produtos provocam. A empresa só começa a gerar lucro quando a margem de
contribuição dos produtos vendidos superar os custos e despesas fixos e também ao
lucro.
Sendo assim, podemos afirmar que a margem de contribuição é a diferença
entre o preço de venda e a soma dos custos mais despesas variáveis, podendo ser
representado da seguinte forma:

 MC = PVun – CDVun, onde:
MC = Margem de contribuição CDVun = Custos e Despesas Variáveis Unitário.
PVun = Preço de venda

 
Ponto de Equilíbrio
Em toda atividade, um eficiente controle de custos é imprescindível para uma
boa administração. A partir das informações geradas por um sistema de custos que
possibilite uma distinção satisfatória entre custos fixos e custos variáveis, pode-se
lançar mão de diversos instrumentos de análise.
O principal e mais divulgado desses instrumentos é o ponto de equilíbrio, seu
conceito mais simples diz que é o ponto da atividade operacional da empresa em
que não há lucro nem prejuízo: a receita total é igual ao custo total. Se a empresa
operar acima do ponto de equilíbrio terá lucro; se abaixo, prejuízo.
Para Silva (2008) o ponto de equilíbrio é determinado mediante procedimento
gráfico ou aritmético, e nasce da conjugação dos custos e despesas totais com as
receitas totais. A atividade está no ponto de equilíbrio quando não tem lucro e nem
prejuízo. Assim, este parâmetro determina o ponto em que a empresa equilibra
custos com receitas.
De acordo com Bruni (2006) a separação e a classificação volumétrica dos
gastos permitem obter o ponto de equilíbrio do negócio, representado pelo volume
mínimo de operações que possibilita a cobertura dos gastos.
Silva (2008) diz que o ponto de equilíbrio pode ser calculado da seguinte

forma: PE = CDF/MCun, onde:
PE = Ponto de Equilíbrio MC = Margem de Contribuição
CDF = Custos e Despesas Fixo
Considerações finais
 
A principal finalidade desse artigo foi mostrar para as empresas de Nova
Mutum a importância da utilização da contabilidade de custos na formação do preço
de venda de um produto ou serviço. Para alcançar esses objetivos, deixou-se de
lado a pesquisa a campo e procurou-se relatos em livros e em artigos já publicados
fazendo uma profunda análise nos mesmos.
Com embasamento no estudo realizado e com sustentação na teoria de
grandes autores conclui-se que a contabilidade de custos é fundamental na
formação de preços pois através de um sistema de custos bem elaborado é possível
coletar, organizar e registrar os recursos aplicados ao processo produtivo, permitindo
um maior controle e produzindo informações úteis e necessários para a formação de
preço de um produto ou serviço.
Silva (2008) diz que o papel básico dos controles de custos é prover a
administração da empresa de informações relativas a custos históricos e futuros, de
forma a contribuir significativamente no planejamento e controle das operações.
Os métodos de custeio objetivam identificar os gastos inerentes ao processo
produtivo acumulando-os de forma organizada aos produtos e serviços. Cabe a cada
empresário testar o sistema de custeio que mais se ajusta ao seu negócio, pois o
conhecimento daquilo que se faz é fundamental para melhor se gerir os custos de
uma empresa. A partir daí define-se o sistema de custeio que mais se encaixa na
sua empresa, para cada atividade, e assim como conseguência terá sem dúvida
uma importante ferramenta na implantação e sucesso da empresa.
AUTOR
Neiva Baseggio
Bacharel em Administração de empresa – União do Ensino Superior de Nova Mutum

MT. Email: neivabassegio@hotmail.com
CO- AUTOR

Edison Luiz Leismann
Professor adjunto da UNIOESTE – PR e da Pós Graduação do Ensino Superior de
Nova Mutum – UNINOVA
CO-AUTOR
Elisângela Maria da Silva
Mestranda em Engenhara da Produção e Coordenadora do Curso de Administração
da UNINOVA
CO-AUTOR
Marluci demozzi
Professora de Pesquisa em Administração e Pesquisa aplicada em Ciências
Contábeis da UNINOVA
Referências Bibliográficas
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. Elaboração de
Trabalhos Acadêmicos NBR. 14724, 2005.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. Referências
Bibliográficas NBR. 6023, 2002.
BERTÓ, Dalvio José e BEULKE, Rolando. Gestão de Custos. São Paulo: Saraiva,
2005.
BRUNI, Adriano Leal. A Administração de Custos, Preços e Lucros. São Paulo:
Atlas, 2006.
KOTLER, Philip. Princípios de Marketing. 9º Ed. São Paulo: Prentice Hall, 2003.
LEONE, George Sebastião Guerra. Custos: Planejamento, Implantação e Controle.
São Paulo: Atlas, 1981.
MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 6º Ed. São Paulo: Atlas, 1998.
RODRIGUES, Luis Carlos e OLIVEIRA, José Vilmar de. Disponível em:
http://www.admpg.com.br/2009/pt/selecionados.php. Cópia acessada em:
08/01/2010.
SANTOS, Cleston Alexandre dos. ESPEJO, Robert Armando e VOESE, Simone
Bernardes. Disponível em: http://www.admpg.com.br/2009/pt/selecionados.php.
Cópia acessada em: 08/01/2010.
SILVA, Benedito Albuquerque da. Custos e Estratégias de Gestão. Apostilado de
pós-graduação, 2008.
SILVENTE, Giseli Alves. Controladoria. Apostilado de pós-graduação, 2009.








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